domingo, 20 de agosto de 2017

Trovas Classificadas em Concursos Oficiais da UBT 2017 - 04 e 05 e Trovas Publicadas 2017 - 07 e 08 (N.º 567 - Ano IV)


Fotos: Arlindo Tadeu Hagen.

Trovas publicadas na antologia MEUS IRMÃOS OS TROVADORES, vol. III – Humor – Organização: DOMITILA BELTRAME – UBTN (União Brasileira dos Trovadores Nacional), em 12/8/'7.


sábado, 19 de agosto de 2017

Textos Classificados 2017 - 011 e 012 (N.º 566 - Ano IV)


Flores de beijo. Foto: Francisco Ferreira.


Mão Boba

Enquanto um segurava o ponteiro, o outro batia com a marreta. Confiança e equilíbrio faziam com que, em trinta anos quebrando pedras todos os dias, jamais errassem uma marretada sequer. Naquela manhã, quando João se lembrou das mãos de Zeca nas ancas de Maria, titubeou... e arrebentou-lhe o crânio.



Amor Filial
Ao ver na TV o moço recebendo, das mãos do governador, medalha pelos relevantes serviços prestados em prol da qualidade de vida na terceira idade, o senhor que não via o filho há três anos, chama os companheiros do asilo e diz com lágrimas nos olhos:

− Venham ver como o meu filho é bom!

Classificado em 18º e 21º lugares na I Semana do IV PRÊMIO ESCAMBANAUTAS DE MICROCONTOS, em 8/8/17.


sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Textos Publicados 2017 - 048 (N.º 565 - Ano IV)

Flores Silvestres. Foto: Francisco Ferreira.

Progresso???



Já de uns vinte ou vinte cinco anos que tenho a crescente sensação de que não estava e nem estou preparado para este mundo novo. Tão admirável, quanto difícil. Nasci e cresci em um local e época muito distintos do que vivemos hoje. Lembro-me da minha cidadezinha pacata, de uma vida que se poderia dizer até modorrenta e que, na afoiteza da juventude, achávamos enfadonha e, muitas vezes naquela época, ansiamos pelo progresso e novidades que nos invadiram recentemente. Como estávamos “enganados com a cor da chita”.

Era uma cidade pequena, com problemas de cidade pequena: raríssimas oportunidades de emprego ou estudos, provocando a debandada da juventude em busca de futuro em centros maiores; os abnegados que ficavam tinham de se contentar com o subemprego, informalidade ou o serviço público – sempre muito concorrido e disponível apenas para os sobrenomes tradicionais ou aos “amigos do rei”-, o que os obrigava a “ler na cartilha” de prefeitos, vereadores e seus anexos e “andar nos bolsos” daqueles que detinham o poder. Mas havia sossego e paz, pão em todas as mesas e alguma diversão. Nossas ruas, quase vazias, nos serviam de quadras para o queimado, as pipas, a bolinha de gude, o esconde-esconde, o polícia e ladrão – incrível como a gente sempre queria ser ladrão, mesmo que, hoje, a grande maioria seja honesta e, de nossa turma, tenham saído policiais, empresários, juízes, desembargadores e até bispo –. Uns poucos se “acostumaram na fantasia” e viraram políticos.

Hoje, o progresso chegou com apetite e avidez, a cidade triplicou de tamanho – embora haja um fenômeno que ninguém explica: o crescimento físico é notório e em ritmo alucinante de PG, enquanto a população cresce em PA -. O movimento de carros, é assustador, sobretudo para uma cidade que não se preparou para absorvê-lo e a infraestrutura é precária – apesar dos avanços -; há diversidade de oferta de empregos, destarte tenhamos de disputá-los “no tapa” com a gente de outros sotaques, normalmente mais especializada e experiente do que a nossa; há sempre um curso técnico, de aprendizagem, capacitação ou habilitação. Centenas de novas formas de lazer e entretenimento. Enfim, a pequena moça provinciana assumiu ares de dama cosmopolita.

Mas, conforme vovó já dizia: “não há perfeito sem defeito”. O índice de crimes violentos, consumo e tráfico de entorpecentes tornou-se uma calamidade, ceifando jovens vidas quase semanalmente, as nossas casas que se acostumaram a viver de portas abertas estão tornando-se fortalezas e cárceres e neles vivemos presos, amedrontados, ansiosos, adoecidos. Para quem tem de sair de casa à noite para trabalhar, acompanhar alguém ou mesmo em busca de lazer corre-se sempre o risco de ser assaltado, extorquido, agredido. Antes se andava despreocupado pelas ruas, o perigo máximo que se corria era tropeçar num despacho ou cruzar com um cachorro louco.

Há três anos que busco minha filha no ponto de ônibus, por volta de meia noite, vinda da faculdade. No início levava celular, carteira e o pouco dinheiro que tinha, agora coloco cinco reais e o RG nos bolsos e vou torcendo e pedindo ao Universo que me mantenha ileso nesta cidade pequena com problemas de cidade grande.

Boa semana a todos. 


Publicação em minha coluna semanal FIEL DA BALANÇA no blog OCEANO NOTURNO DE LETRAS (Rio de Janeiro –RJ), em 7/8/17.


quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Poemas Classificados 2017 - 050 (N.º 564 - Ano IV)




Linha de Produção



Às cangalhas diárias

homens vergados

carregam a tarde às costas,

corações nas marmitas vazias,

cargos e encargos às mãos.



No copo vazio

a solidão transborda

inundando a alma

fertilizando a revolta latente.

Infla-se grita: “Ai!”



Na cama fria

a dama gelada e as contas

os filhos crescendo exigentes

cuidados e dinheiro faltando.

Explode em ira e grita: “Ui!”



Seu grito vazio

perde-se no barulho da máquina

e o chão de fábrica

acolhe seu último ato de revolta

em silenciosa lágrima.

Classificado para a antologia FRUTOS DE UM JARDIM 1 - POESIAS" - organização: LENILSON SILVA, em 4/8/17.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Poemas Publicados 2017 - 050 (N.º 563 - Ano IV)


Crepúsculo. Foto: Francisco Ferreira.

Ocaso



Os cavaleiros do apocalipse

apearam de seus cavalos

embainharam as espadas de fogo.

Entram  em seus possantes

automóveis importados

envergando sedas e linhos

brandem canetas de ouro

e pergaminhos de luxo.



Não vem dos céus a cólera do cordeiro

das tundras e estepes que vêm os lobos

águia e pantera marcham sobre o mundo

como abutres em terras arrasadas

por cogumelos megatômicos

e deuses entrincheirados.



Dos planaltos amazônicos

vem a última esperança

Tupã faz mandinga

para acalmar a sede de Hades.

Classificado para a coletânea SEMEANDO O AMANHÃ – n.º 01 – do CAFÉ POESIA – organização: ALEXANDRE JAZARA DA SILVA JASA, em 2/8/17.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Textos Publicados 2017 - 047 (N.º 562 - Ano IV)


Horto. Foto: Francisco Ferreira.

Crime e Castigo



Ontem estava recordando para os meus filhos uma passagem ruim da minha adolescência. Passagem de que até hoje trago as marcas - não traumas -, mas que são marcas que não foram de todo ruins pois proporcionaram enorme e valoroso aprendizado. Quando eu cursava a sexta série (atual sétimo ano), estudava no Instituto São Joaquim, escola particular administrada pelas freiras Clarissas Franciscanas e gozava de ampla confiança dos meus pais que me entregavam o dinheiro das mensalidades e, de posse deste valor e mais o carnê de pagamentos que sempre ficou em meu poder, ia até a agência da antiga Minas Caixa e efetuava o pagamento. Sempre em dia.

            No mês de março daquele ano, 1980, cheguei da agência bancária e atirei o carnê sobre o guarda-roupas e o danado caiu entre o móvel, que era enorme e quase todo em madeira maciça e a parede em que ficava encostado, o que fez servir de sepultura ao bloco de mensalidades. No mês de abril, como de costume, me passaram o dinheiro e eu, não achando o talão e com medo das represálias costumeiras, guardei o numerário, não falei que havia perdido o bendito e nem providenciei de ir à secretaria da escola pedir uma segunda via. Nos meses de maio e junho, a situação se repetiu e, justamente, neste último, a tentação falou mais alto. Era Jubileu (a nossa festa maior) e eu gastei parte do dinheiro, com a intenção de repor depois. Um pensamento e ação temerários, uma vez que não trabalhava e teria que pedir a alguém, sob alegação de qualquer necessidade, o valor para cobrir o desfalque. Não consegui fazer a reposição e acabei por gastar todo o restante. Daí, como se diz aqui na roça: “nem angu e nem biju.” No terceiro mês de atraso, a secretaria da escola convocou o meu pai e “a casa caiu”. Meu pai me levou até aquele órgão do colégio, me fez confessar o erro, requereu uma segunda via, deu-me o dinheiro das mensalidades – como sempre fez - e mandou-me à caixa, efetuar o pagamento e desceu para “esperar-me em casa”.

Nesta época eu era aficionado por coleções: bolinhas de gude, canivetes, figurinhas futebol cards e as minhas grandes paixões: gibis do Tex (mais de cem), do Zagor, entre tantos outros. Tinha também bolas de futebol, uniformes de clubes, “manivelas” de soltar pipas (aprumar papagaio – que é como falávamos) e outros brinquedos mais. Quando cheguei em casa, tudo aquilo estava numa pilha no terreiro e meu pai atirou álcool por cima e botou fogo.Doeu muito ver o meu tesouro ser confiscado daquela maneira, mas cabe uma reflexão: hoje, normalmente não faríamos isto, chamaríamos o filho para conversar, explicaríamos que aquilo foi errado, far-lhe-íamos prometer que jamais voltaria a cometer o erro e, muito provavelmente, daríamos um castigo do tipo: não usar computador ou celular por um período, mas que acabaríamos sendo driblados ou esquecendo do castigo. No meu caso, a lição foi duríssima, eu tinha revistas raras do Tex, que eu jamais voltei a encontrar, mas aprendi a lição do quanto é bom ser honesto e hoje agradeço muito ao meu pai por isto e, na época, agradeci a e ele e ao Universo, por não ter levado uma “pisa” daquelas. Pois eu bem mereci. Sou contra a violência de qualquer natureza, mas que um castigo bem direcionado funciona, isto não tem como negar.

Uma boa semana a todos e sem castigos.

Publicação da semana em minha coluna FIEL DA BALANÇA no blog OCEANO NOTURNO DE LETRAS - Rio de Janeiro - RJ), em 1º/8/17.



segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Trajetória Literária 2017 - 19 (N.º 561 - Ano IV)

Arrebol (9/8/17). Foto: Francisco Ferreira.

Matéria no Jornal PORDENTRO  (on line) – Ano VI – Edição 74 – Julho/2017 – pag. 10 – col. 05, em 1º/8/17.